Consulta Pública ao Estudo Mobilidade dos Consumidores na Banca a Retalho em Portugal
12.02.2026
O setor da banca a retalho é central para a economia portuguesa, abrangendo virtualmente todas as famílias e empresas. Com vista a avaliar das condições de mobilidade bancária Portugal, a AdC lançou uma consulta ao mercado, em julho de 2025.
A AdC recebeu 10 contributos, incluindo do Banco de Portugal, que, de modo geral, sinalizaram constrangimentos suscetíveis de afetar a capacidade de escolha dos consumidores e dificultar a mudança de banco. Nesse sentido, a AdC avançou para uma análise aprofundada das condições de mobilidade dos consumidores particulares na banca a retalho.
O Estudo “Mobilidade dos consumidores na banca a retalho em Portugal”, agora em consulta pública, identifica dificuldades na pesquisa e comparação dos produtos bancários. De acordo com um inquérito a consumidores contratado pela AdC, cerca de 69% dos inquiridos não procuraram informação sobre contas de depósito à ordem de outros bancos nos últimos cinco anos. Em paralelo, a adesão ao serviço de mudança de conta de pagamento previsto no quadro legal e regulamentar é muito limitada.
Estes constrangimentos assumem relevância num contexto de elevada longevidade da relação entre consumidores e bancos, bem como por níveis reduzidos de literacia financeira, fatores que tendem a aumentar os custos de pesquisa e de mudança, reduzindo a propensão dos consumidores para comparar ofertas e mudar de instituição.
Os intermediários de crédito podem desempenhar um papel relevante no apoio aos consumidores, mas esse potencial é condicionado pelo reduzido conhecimento dos consumidores sobre a natureza e o âmbito do serviço prestado, nomeadamente daqueles que agem em nome de instituições mutuantes.
Com vista a diminuir os custos de pesquisa, comparação e de mudança, a AdC apresenta um conjunto de 16 recomendações dirigidas ao legislador e ao Banco de Portugal.
A AdC submete a consulta pública o Estudo “Mobilidade dos consumidores na banca a retalho em Portugal”, convidando todos os interessados a apresentar comentários e/ou exposições no prazo de 15 dias úteis (até 5 de março de 2026), para o endereço eletrónico consultapublica@concorrencia.pt.
Na resposta ao presente pedido, solicita-se que, atento o regime legal de acesso a informação administrativa e o regime legal de proteção de dados pessoais, queiram identificar as informações que considerem confidenciais, designadamente por conterem segredos de negócio ou dados pessoais, juntando, sendo caso disso, uma cópia não confidencial expurgada desses elementos confidenciais e respetiva fundamentação da confidencialidade.
20.07.2026
O Estudo, em versão preliminar, foi submetido a consulta pública, entre 13 de fevereiro e 5 de março de 2026.
No âmbito dessa consulta, a AdC recebeu o parecer do Banco de Portugal e os contributos de três associações representativas do setor financeiro e de dois consumidores ou associações representativas de consumidores. Os contributos recebidos refletiram perspetivas distintas sobre as matérias analisadas e foram considerados na revisão e aprofundamento das conclusões e recomendações do Estudo. Em resultado dessa ponderação, a versão final passou a incluir uma nova recomendação dirigida ao Banco de Portugal, relativa à publicação de uma estratégia plurianual para o desenvolvimento do open banking e do open finance, com vista a promover condições favoráveis à inovação, à contestabilidade dos mercados e ao reforço da concorrência. Assim, a AdC apresenta um conjunto de 17 recomendações dirigidas ao legislador e ao Banco de Portugal.